lundi 4 août 2008

Invejamor





A chama observada
Na bela pira da labareda
Desperta na lenha molhada
A inveja mais azeda

O mapa dessa vereda
Registro só numa folha borrada
Norteará uma poesia abandonada
Numa outra traiçoeira alameda

Este belo tecido nobre
Tramado com delicada seda
Que hoje me encobre

Expõe escancarada
A nudez do amigo pobre
Na sua alma desencantada


par moi

vendredi 1 août 2008

Vôo sem Volta





Certa vez me prometi abraçar o mundo
Como um ingênuo tolo, pura criança
O jovem confia cegamente em sua pujança
Ignorante da cólera do destino iracundo

No oceano azul me atiro e me afundo
Infinitos mistérios preenchem-me de esperança
Quem desconhece seu lado mais profundo
Aprende que em alto mar não há temperança

Arregalo os olhos com pavor
À imensidão e seu poder assustador
Ofusca minha razão, me encandeia...

Já não há volta ao velho lar,
O precipício à beira da trilha me trapaceia
No próximo passo, hei de cair ou de voar...
par moi

mercredi 30 juillet 2008

Sexo poético entre o homem e o vinho



Que bem te fiz,
Ó vinho terno
Para que me aqueça o coração,
O cobertor que me abraça
Na noite fria de inverno?

Ó homem ingênuo,
És minha ferramenta,
Não me existe maior prazer
Que mergulhar-me profundamente
Em tua ampla goela sedenta,

Bebida amiga,
Dê-me seu conselho
Como posso eu retribuir
A sublimação deste mundo incolor,
A passagem para o belo céu vermelho?

Não te enganes,
Homem simplório,
Não há favor no que faço
Se for teu o prazer de ter-me no peito
Embriagar o mundo é meu espólio

Pois abuse do meu corpo,
Vinho refulgente,
Expulse-me de vez do mundo pálido,
Guie-me para o caminho sem volta,
Para o infinito universo dormente

Assim pudera, logo faria
Ó homem mundano,
Mas irônica é a vida
O prazer só há, se houver também
O sofrimento quotidiano

Não há então, meu bom vinho
Razão pra me ansiar,
Se para preencher-me de êxtase
Necessitas de amargura
Motivo não há de faltar

Pobre homem,
Abra sua garganta,
Neste momento me atiro
Torno-me agora a ébria alma
Do teu frágil corpo que decanta

Venha vinho amante,
Desejo provar dos seus sabores
Arrebente-me o corpo
Violente-me a consciência
Possua-me sem pudores
by me

mardi 22 juillet 2008

A xícara de Hiroshima



Ontem, durante uma conversa especial, me lembrei da xícara de Hiroshima.
Numa visita a um museu da 2ª Guerra Mundial, havia entre os muitos artefatos uma xícara. Vinha da cidade de Hiroshima. Era branca com detalhes azuis bem pintados e curvos. Uma peça muito bem trabalhada. Muitos chás tinham passado por aquela xícara antes da bomba.
Então a bomba atômica caiu. E a cidade desapareceu. E o que sobrou dela foi colocado nesse museu. Através dos efeitos surreais da irradiação da bomba atômica, a xícara sofreu uma mutação absurda e fantástica. Uma metade dela continuava intacta, branca e com detalhes azuis bem pintados. A outra metade se mostrava uma escultura numa forma de tumor cerâmico, destorcido, aumentado, lindo. A primeira metade mostrava seu passado, esculpido, delicado, bonito. A outra metade mostrava as conseqüências do presente, deformado, bruto, bonito.
Não adianta, faça o que quiser, diga o que disser, mas o mundo sempre dá um jeito de vomitar algo bonito. Não importam os motivos, as origens, as intenções... algo de belo sempre há de nascer, mesmo de uma bomba atômica. No meio fétido, sempre é possível cheirarmos um perfume, se aguçarmos nosso nariz.
A beleza não respeita as leis dos homens, sejam elas morais, religiosas ou jurídicas.
A beleza é eterna, o homem é passageiro.

dimanche 20 juillet 2008

Bateaux brullés



À chaque fois
Le monde s’arrete
Ils le savent
La magique se repète

La raison
Je la tiens
Tes yeux
Sont près des miens


moi

lundi 14 juillet 2008

Sobre o conformismo





Razão impossível
Além de onde
Quem diria
Um belo dia
Eu estaria

Vôo Distante à
Estrela intocável
Alguns poucos
Têm a sorte de visitar os astros
E fazem sonhar os que estão
Nesta pequena Terra

Quem já visitou o infinito
sabe
Que na verdade não há o espaço
O impossível não há
Acredito

No céu infinito
Não há distância impossível,
O dia não existe
O que há
É um verdadeiro espaço
Entre a intenção
E o primeiro passo


by me

mercredi 9 juillet 2008

Frases bestas, soltas, nascidas no álcool coletivo e anotadas num papel qualquer (parte 1):




Poema do Boêmio medíocre

Minha religião tem Baco no céu
As Marias não são virgens
As noivas não usam véu

Minha igreja tem Vinícius como profeta
Seu templo é o bar
Pecado é andar em linha reta

O dízimo é pago sem contestação
Os dez por cento são convertidos
Automaticamente
Em gorjeta pro garçon


Afirmações:
Emílio Santiago, além de cantor, é o melhor whisky de milho do Chile.


All you need is Love


Virgem Maria e Jesus possuem existência mutua impossível. Ou há uma virgem, ou há um filho.


Quem perde o assento não está necessariamente de pé.


Diálogos:
1)
Bêbado 1: - Você é apaixonado pelo seu trabalho?
Bêbado 2: - Não, só tô comendo.

2)
Bêbado 1: - Alou, Unimed?
UNIMED: - Sim?
Bêbado 1: - Estou com um problema nos tímpanos.
UNIMED: - Sim?
Bêbado 1: - Vocês poderiam me disponibilizar um trompetista?